
O dia despontou como um fio leve , que levemente invade a escuridão, rompendo sua densidade insignificante ou apenas mais um dia dentro dos milhares que se passam , às vezes, despercebidos.
Como de costume , levantei-me cedo, degustei o café que esperava ansioso na mesa , escravo, sem reciproca , abri o jornal da manhã , dei-me por completo despertado ao passar o olho pela admirável manchete : Progresso é a nova esperança do milênio (em letras garrafais por sinal).
Surpreendeu-me a audácia com que se dirigiram ao progresso , esperança ? , acho que são coisas que andam , ao menos, atualmente , em longo desentendimento.
Recordei da morte de meus pais , onde a fatigada medicina não encontrava explicação para aquele corpo espectral que habitava as mais variadas entranhas de nossa moradia ,quase que, eternamente individual .
Hoje , talvez , hoje , algo poderia ser feio , mas nem sempre o será. Nossa natureza progressista insiste em criar penhascos a serem escalados pelos que o buscam.
Meu fluxo foi interrompido pelo rotativo ponteiro temporal indicando a hora da partida,o dia seguiu , como todos os outros...